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Segurança Pública elucida caso de taxista desaparecido

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20150709 1A Polícia Civil do Amapá afirmou nesta quarta-feira (8) que o taxista Raimundo Wilson Brito, de 58 anos, foi morto para que o carro dele fosse usado para transporte ilegal de passageiros por um dos suspeitos de cometer o assassinato. Duas pessoas estão envolvidas no caso. O corpo do taxista foi encontrado na noite de terça-feira (7). Ele estava desaparecido desde sexta-feira (3). A vítima foi morta com golpes de facas no pescoço em um ramal em Porto Grande, a 102 quilômetros de Macapá, mesmo lugar onde o corpo foi achado.

De acordo com o delegado Uberlândio Gomes, do Departamento de Polícia do Interior (DPI), um dos suspeitos, de 22 anos, está preso desde terça-feira a noite. Ele teria recebido para participar do latrocínio a quantia de R$ 1 mil do principal autor do crime, um homem de 27 anos, que continua em liberdade.

O desaparecimento ganhou repercussão após o engajamento de taxistas e depois da família iniciar uma campanha na web para encontrar o parente com vida.

Motivo
As investigações descobriram que o roubo do veículo do taxista foi provocado por uma dívida acumulada pelo foragido. O suspeito trabalhava com transporte ilegal de passageiros e perdeu o carro que usava no emprego depois de atrasar três parcelas do veículo.

"O foragido tinha um carro financiado e trabalhava com transporte ilegal para o Lourenço [em Calçoene], mas ele estava inadimplente com três parcelas. Então o dono pegou de volta o veículo. Como o suspeito não queria ficar sem transporte, ele decidiu praticar o crime de matar um taxista e clonar o carro. Foi o que ocorreu", afirmou Gomes.

O suspeito foragido convidou um comparsa para praticar o crime na noite de quinta-feira (2). Segundo as investigações, ambos foram, inicialmente, para uma casa de shows em Fazendinha, a 9 quilômetros de Macapá, para fazer o latrocínio contra um dos taxistas que trabalham no local, mas um desentendimento entre os próprios suspeitos impossibilitou o crime naquele momento.

O cúmplice no crime teria pedido a quantia de R$ 1 mil no lugar dos R$ 500 acertados inicialmente. Eles se deslocaram para a orla de Macapá e durante o percurso, a dupla conseguiu chegar a um acordo.

O delegado do Núcleo de Operações em Inteligência (NOI), Sidney Leite, afirmou que os suspeitos chegaram a orla de Macapá e pegaram um taxista, que os levou até o bairro Marabaixo, na Zona Oeste.

No caminho até a região, segundo a Polícia Civil, a dupla ofertou a corrida para Porto Grande pelo preço de R$ 200. A proposta no entanto, foi negada pelo taxista, que repassou a corrida a Raimundo Wilson Brito.

Crime
Depois de trocarem de veículo para o táxi de Wilson Brito, a dupla seguiu para Porto Grande. A Polícia Civil descobriu que um dos suspeitos pediu para o taxista entrar no ramal do retiro São José, local onde o crime ocorreu.

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"Passando pelo ramal do retiro São José, um deles disse que a tia estaria morando naquela região e pediu para o carro entrar no caminho com a promessa de quantia de R$ 30 a mais pela corrida", contou o delegado do NOI.

Sidney Leite ainda afirmou que próximo ao retiro, um dos suspeitos pediu para urinar à margem da estrada. O assalto foi anunciado nesse momento. O taxista ainda tentou reagir com uma faca guardada no porta-luvas, mas o objeto foi tomado dele e usado para matá-lo.

"O taxista entrou no ramal e pouco antes da vila, o suspeito que está foragido disse que queria urinar e o carro parou. Nesse momento, os dois atacaram o Wilson. O taxista tentou pegar uma faca guardada no porta-luvas para se defender e um deles tomou o objeto da vítima e desferiu um golpe no pescoço. O seu Wilson ainda tentou abrir a porta, mas o suspeito no banco do passageiro segurou a vítima, momento em que o homem do banco traseiro com a faca na mão deu outros quatro golpes nas costas", disse Leite.

O corpo do taxista foi deixado no mesmo ramal. A dupla ainda o arrastou para escondê-lo em uma região de mata à margem da estrada.

Pistas

Depois de matarem o taxista, os suspeitos seguiram o caminho. Um deles, preso na noite de terça-feira, ficou em Porto Grande. O outro continuou rumo ao Lourenço, em Calçoene, a 374 quilômetros de Macapá.

Durante o caminho até o distrito de Lourenço, alguns objetos do carro foram deixados pelo caminho, próximo ao rio Itaubal, em Amapá, a 302 quilômetros de Macapá. Eles serviram como pista para a Polícia Civil.

As buscas contaram com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de um helicóptero do Grupamento Aéreo de Segurança Pública do Pará (Graesp-PA), que chegou no domingo (5), em Macapá.

O carro foi encontrado nesta terça-feira depois de denúncias anônimas sobre o caso. O veículo estava sem o adesivo da cooperativa de táxi na qual era cadastrado e escondido em uma região de mata fechada no Lourenço.

De acordo com o delegado Uberlândio Gomes, o suspeito foragido soube da repercussão do caso e tentou se livrar do veículo, chegando a ofertá-lo por R$ 2 mil para moradores da região.

Procura
A Delegacia de Polícia do Interior comunicou que já pediu a prisão do suspeito ainda não encontrado. Equipes policiais estão de campana em pontos estratégicos a fim de capturá-lo. A ação tem apoio das polícias Militar (PM) e Rodoviária Federal (PRF).

O foragido tem passagem pela polícia pelo crime de latrocínio, segundo a DPI. O comparsa também tem histórico infracional quando era menor de idade. Ele está em Macapá, mas por motivos de segurança a Polícia Civil não divulgou o local da prisão.

Existe a possibilidade de mais uma pessoa estar envolvida no crime. Uma testemunha teria informado a Polícia Civil que viu o foragido com uma mulher no carro a caminho de Lourenço. A informação, no entanto, ainda é apurada.

Abinoan Santiago
Do G1 AP

 

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